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VIII Workshop de Infância do Instituto Cyro Martins

O VIII Workshop de Infância foi um sucesso! Tivemos em torno de 60 profissionais de diferentes áreas: professores, pedagogos, psicopedagogos, diretores de escolas, orientadores educacionais, supervisores e coordenadores de escolas, psicólogos e estudantes de psicologia, assistentes sociais e outros.

 

Além dos temas das duas palestras programadas para o evento, foi possível observar troca de vivência entre os participantes e o interesse por temas como: indisciplina, violência, evasão escolar, vulnerabilidade social, apatia, desmotivação, dificuldades de aprendizagem, uso da internet, esgotamento emocional do educador, maior engajamento do professor na educação, respeito às diferenças, promoção e prevenção em saúde mental e tantos outros.

 

 

 

 

O que não faltou foi assunto e ficamos muito felizes com os resultados. E para quem não pôde comparecer, confira as considerações do evento, escrita pela Diretora e Coordenadora Pedagógica da Escola Fazarte São Paulo, Assessora de Grupos de Estudo e Formação de Professores, Maria Auxiliadora C. Lourenço.

 

Considerações sobre o Workshop do Instituto Cyro Martins

Por Maria Auxiliadora C. Lourenço, Diretora e Coordenadora Pedagógica da Escola Fazarte São Paulo, Assessora de Grupos de Estudo e Formação de Professores.

A fala da professora Dra. Tânia Ramos Fortuna, abordou algumas questões referentes à pessoa do professor/educador já, de imediato fazendo distinção entre estes dois (professor e educador) colocando que nem todo professor é educador e vice-versa, pois o educador tem que, necessariamente gostar de pessoas para dedicar-se a ouvi-las, estar implicado e querer a aprendizagem e o crescimento do outro.

Como em nossa sociedade a escola é o lugar oficialmente destinado à aprendizagem, é nela que a maioria dos desafios, questões, adequações, acontecem envolvendo a pessoa de quem ensina e a de quem aprende. É necessário refletir, germinar indagações, levantar questionamentos, indagar posturas, atitudes, para chegarmos a condições mais adequadas a fim de que a aprendizagem aconteça.

A época atual levanta e faz vir à tona, agudizando como nunca, questões a serem respondidas e pensadas por todos. As crianças, jovens, têm elevado seu poder de ter acesso à informação, não mais necessitando somente da escola para obtê-la, e, como foi dito… “a escola é uma maneira de vida” não a única.

Estes novos olhares, questões, debilitam os professores que, insistindo em só transmitir a informação, os conteúdos, ficam em posição desfavorável, muitas vezes, em relação aos próprios alunos, que não vêm sentido no que aprendem. Há que se achar, é urgente, cada vez mais sentido e significado naquilo que é apresentado como “importante para aprender”. Velhos discursos, caem por terra, pois há várias profissões, que atualmente não dependem da educação formal. Será? Ou é preciso encontrar um novo discurso, pesquisar nas crianças, jovens e adultos, situações lúdicas, criativas que deem novos significados ao já estudado. Como colocado pela profª Dra. Tânia Ramos Fortuna “a escola deve dar a seus alunos, o desejo de viver”. Encontra-se a escola conectada à vida? Do ponto de vista da pessoa do professor:

  • “Vivem a carreira profissional e o espaço escola como a realização dos sonhos?”
  • “Têm ainda, o amor ao conhecimento?”
  • “O desejo de saber e de fazer saber?”
  • “Querem ser referência para seus alunos, mostrando-a em suas ações cotidianas?”

Esta análise, deverá ser feita por cada um que se dedique a trabalhar com o outro, seja ou não professor, para tornar-se educador. O desânimo, o envolvimento emocional baixo, a falta de energia, levam ao esgotamento, doença. E a escola? Deve fazer a mesma reflexão. Está conectada à vida? Ou repete os mesmos discursos? Eu diria que ambos, professores e instituições, devem fazer a mesma reflexão, nos respectivos âmbitos aos quais pertencem; individual e coletivo.

O resgate do desejo, o quê e como ensinar, aprender, são diferentes faces da mesma moeda. O que difere o professor apaixonado? Como ensina e aprende? Tem entusiasmo pela vida? Já dizia Freud: “O desejo é o pai do pensamento.” “A criança é o pai do homem.” A dimensão lúdica, a literatura, a música, o cinema, a arte, o humor, o brincar devem compor a tessitura da aula. A admissão da dimensão lúdica da aprendizagem e do ensino pode colaborar para transformar a escola. O educador deve atuar para que o prazer de ensinar e aprender seja demonstrado através de atividades desafiadoras onde a vida pulsa. Segundo o psicólogo Cléon Cerezer, “para inovar é necessário estar fundamentado em uma tradição, ter embasamento”. Em âmbito pessoal a reflexão deve levar ao questionamento de 2 reflexões;

  • 1ª Por quê trabalhas?
  • 2ª Para quem trabalhas?

Em âmbito coletivo, a relação para maior profissionalização dos professores deve conter momentos coletivos de discussão levando ao conhecimento socializado, pois quanto mais flexíveis forem o ensino/aprendizado mostrará uma forma mais amadurecida. É necessário que o cotidiano contenha momentos e espaços de fala/escuta sobre os mais diversos questionamentos, dúvidas, ou isto acontecerá em outros espaços sem adequação.

A escola, para a formação, é o espaço ideal da reflexão de toda e qualquer questão propiciando o evoluir do âmbito amador, superficial para o profissional. A instituição escola, bem como os que nela habitam devem estar em permanente transformação. A etimologia da palavra “trabalho” vem do latim “lavoro” ou seja compartilhamento. A colocação do “lugar de adulto” implica em um adulto tranquilo, orgulhoso de ocupar este lugar para que a mediação aconteça. É tarefa do adulto filtrar as novas tecnologias envolvidas nos desafios da contemporaneidade, que se constantemente trabalhados, experimentados, levarão ao crescimento de todos.   Maria Auxiliadora C. Lourenço